Nos jornais: a nova rotina de Lula fora do poder


Nos jornais: a nova rotina de Lula fora do poder

O Globo

 

A nova rotina de Lula fora do poder

Aos amigos que lhe perguntam como está se sentindo de volta à planície, seis semanas depois de passar o cargo de presidente da República para Dilma Rousseff, Lula deixa claro que não está nada fácil adaptar-se à nova rotina: “É como se você estivesse dirigindo a 300 por hora, desse um cavalo de pau e, de repente, o carro parasse no meio da estrada?”. Outra imagem que surgiu na nossa conversa no final da tarde de segunda-feira foi a de alguém que simplesmente tiraram da tomada. Lula sentiu isso literalmente no dia em que deixou Brasília e voltou para o seu apartamento em São Bernardo do Campo: à meia-noite, foram desligados os aparelhos de comunicação da antiga segurança presidencial. De roupa esporte, acompanhado apenas dos antigos e fiéis assessores Clara Ant e Paulo Okamoto, de um secretário e dois seguranças, tudo o que restou da antiga corte, o ex-presidente agora conversa sem pressa com quem o visita em seu “gabinete provisório”, uma suíte no último andar de um hotel na Zona Sul paulistana. Sem deixar de ajudar a mulher, Marisa, a desencaixotar a mudança e em prosaicos afazeres domésticos, como lavar pratos, Lula está aos poucos saindo da toca de São Bernardo do Campo, para onde voltou na noite de 1ºde janeiro, depois de ser o homem mais importante do país nos últimos oito anos. Por mais que queira assumir o papel de ex, ele é tratado por onde passa como se ainda fosse presidente. Vai demorar algum tempo para que Lula possa “desencarnar” da Presidência, como ele mesmo tem falado, e os brasileiros que o elegeram duas vezes se acostumem com seu novo papel.

‘Tenho que desencarnar. É difícil’, diz ex-presidente

Em sua primeira visita ao Rio após deixar a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem à cidade, onde ficará até amanhã, para uma série de encontros. Ele se reuniu no hotel Sofitel, em Copacabana, na Zona Sul, com o presidente do IBGE, Eduardo Nunes e com o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), além do compositor Chico Buarque. Bem-humorado, o ex-presidente afirmou que ainda precisa “desencarnar da Presidência”.

– Eu não defini ainda o que quero fazer. Tenho dito que, primeiro, tenho que desencarnar. É difícil. Quando um governante sai da Presidência com o povo escrevendo faixas na rua “fora fulano”, “fora beltrano”, ele (o governante) esquece logo. Mas, quando você sai com 90% (de aprovação), é muito difícil, porque a população está muito presente. Faz pouco tempo ainda. Estou tranquilo. Vou tomar muito cuidado para não dar nenhum passo errado, para fazer as coisas bem feitas. Tenho todo o tempo da vida pela frente – declarou Lula, ao chegar ao hotel, onde a diária custa entre R$2.785 e R$9.347.



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