Ipea: Mais de 40% dos desempregados aceitariam trabalhar por um salário mínimo


De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), mais de 40% dos desempregados entrevistados em janeiro deste ano aceitariam trabalhar por um valor igual ou inferior ao salário mínimo da época (R$ 540). O objetivo do estudo era verificar a percepção da população sobre as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (16).

Para o técnico em Planejamento e Pesquisa do Ipea, Brunu Marcus Amorim, o dado mostra que a média salarial brasileira ainda é baixa, mesmo se comparada à de economias do mesmo porte. “Quando o salário mínimo vira uma ambição, vê-se que ainda há muitas famílias que mal conseguem ganhar o piso ou ter carteira assinada e como os salários são baixos”, afirmou.

A explicação para a baixa expectativa salarial pode estar associada, entre outras coisas, ao tempo que a pessoa está desempregada e a sua falta de qualificação profissional. Cerca de 45% dos desempregados declararam estar procurando trabalho há mais de seis meses. Outro problema é que o seguro-desemprego, importante instrumento de proteção social dos demitidos, é pago por no máximo cinco meses, sendo a média quatro parcelas.

A pesquisa também revela que o desemprego atinge principalmente os jovens entre 18 e 29 anos. Embora eles sejam apenas cerca de 30% dos 2.773 entrevistados, representam 54% dos que disseram que não tinham realizado qualquer atividade remunerada na semana da entrevista, mas haviam procurado emprego. Quase todos os entrevistados desempregados responderam já ter alguma experiência profissional remunerada anterior.

Um total de 31% dos 801 entrevistados do grupo de inativos, ou seja, que não realizaram qualquer atividade remunerada e não procuraram trabalho na semana da entrevista, disseram nunca ter procurado emprego.

Entre as mulheres, que representam 88% do total de inativos entrevistados, o percentual de quem nunca procurou trabalho aumenta de acordo com a faixa etária, o que comprova a tese que a atual geração de mulheres participa mais ativamente do mercado de trabalho. Já entre os homens, ocorre o inverso: a maioria é de jovens, o que pode ser interpretado como maior dedicação por parte deles aos estudos.

De acordo com Amorim, os resultados sugerem que a reinserção dos desempregados passa pela geração de empregos, sobretudo os assalariados, com carteira de trabalho assinada, e pela qualificação e orientação profissional.

 

Agência Brasil



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