O ganho que traz o trabalho voluntário


GABRIELA VIEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO – O Estado de S.Paulo

Campanhas, doações e mutirões de ajuda pontuais já fazem parte de práticas sociais nas empresas. Mas, para a coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriana Gomes, as organizações agora caminham para a valorização cada vez maior do trabalho voluntário dos funcionários. Muitas já possuem programas de voluntariado corporativo e expandem as iniciativas para nível internacional.

 

Durante um período de suas férias ou por um tempo cedido pela empresa, o colaborador faz uma espécie de intercâmbio profissional, juntamente com colegas de outros países. No entanto, em vez de ficar no escritório, ele se dedica a atividades sociais. Já ter sido voluntário no seu próprio país é, quase sempre, pré-requisito para a participação nesses programas.

“Esse tipo de trabalho precisa ter continuidade. Eu já participava dos programas internos de voluntariado”, conta o analista de processos contábeis Anízio Dias, da ArcelorMittal Brasil. Durante as férias do último ano, ele viajou para a Bósnia-Herzegovina no programa de voluntariado internacional da corporação. Lá, participou da reintegração dos grupos religiosos e sociais do país, através da aproximação das crianças e jovens.

“O trabalho que desenvolvemos foi de reintegração da população, muito marcada pelas guerras separatistas. Em conjunto com uma ONG, organizávamos desde a limpeza do local até o cuidado com as crianças e adolescentes, que tinham entre oito e 15 anos”, conta Dias.

“De forma alguma você perde suas férias. Na verdade, só há ganho, tanto pessoal quanto profissional”, comenta Jefferson de Matos, consultor da área de pré-vendas e projetos especiais da Telefônica. Ele foi voluntário em El Salvador, dando aulas de reforço e informática para crianças e jovens carentes.

“Foi uma experiência inesquecível”, afirma Matos. “Nós demos aulas de informática, inglês, reforço de matemática e de como montar um plano de carreira para crianças e jovens de três a 16 anos. Para os professores, demos capacitação para uso do laboratório de informática montado durante o nosso programa. O reconhecimento, ainda lá, foi enorme. É um pequeno trabalho para nós, mas para eles faz muita diferença”, acrescenta Matos. Depois da viagem, ele passou a fazer parte do comitê de voluntariado da empresa.

Exemplo. Além da satisfação pessoal e da experiência internacional, a participação também resulta em ganhos profissionais. “Você acaba se tornando um exemplo e, quando volta, agrega sua experiência e as habilidades desenvolvidas à sua equipe de trabalho”, conta a diretora de vendas para hardware da IBM América Latina, Claudia Valente. Ela passou três semanas na Polônia desenvolvendo projeto para a competitividade na cidade de Katowice. “A experiência foi incrível.”

Os voluntários destacam algumas habilidades mais desenvolvidas com as viagens: melhora na comunicação, relacionamento interpessoal e mais facilidade no trabalho em equipe e com prazos curtos. Também são positivos o aperfeiçoamento da língua estrangeira e o contato pessoal com colegas de diferentes sedes.

“A vivência prática de situações inesperadas favorecem importantes competências comportamentais para o profissional e para a empresa, entre elas a criatividade e a capacidade de improvisação”, indica a especialista da ESPM.

Dias e Matos acreditam que, mesmo quando o trabalho social não está diretamente relacionado à atividade corporativa, o crescimento profissional é um resultado natural da experiência, porque a pessoa sente o retorno constantemente.

Para os funcionários que desejam dedicar seu tempo ao mesmo tipo de programa, os três voluntários dão as dicas. “Eu dediquei de quatro a seis horas por dia, durante os três meses que antecederam a viagem, a pesquisas sobre o país. Lá, a expectativa das pessoas é enorme, e você tem a responsabilidade de representar a empresa, não tem tempo a perder”, conta Claudia,

Matos destaca a importância de estudar e pesquisar sobre o destino. Além de otimizar o trabalho, o preparo pode evitar problemas. Entender sobre a cultura, a economia e, principalmente, sobre a política afetam o projeto e a viagem.

Segundo Dias, quem deseja aderir deve começar o quanto antes com atividades voluntárias aqui mesmo, porque prepara e ajuda na hora da seleção.



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